“Levaram, pois, Jesus da casa de Caifás ao Pretório. Era de manhã. Não entraram no Pretório para se não contaminarem, a fim de comerem a Páscoa. Pilatos, pois, Saiu fora para lhes falar e disse: Que acusação apresentais contra este homem? Responderam e disseram lhe: Se este não fosse um malfeitor, não o entregaríamos nas tuas mãos. Pilatos disse-lhes então: Tomai-o vós e julgai-o segundo a vossa lei, Mas os judeus disseram-lhe: A nós não nos é permitido matar ninguém. Para se cumprir a palavra que Jesus dissera, significando de que morte havia de morrer. Tornou, pois, Pilatos a entrar no Pretório, chamou Jesus e disse-lhe: Tu és o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim? “Respondeu Pilatos: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os pontífices são os que te entregaram nas minhas mãos. Que fizeste tu? “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste inundo, certamente que os meus ministros se haviam de esforçar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas o meti reino não é daqui Disse-lhe então Pilatos: Logo tu és rei` Respondeu Jesus: T o dizes, sou rei, Nasci, e vim ao mundo para dar testemunho da verdade; todo o que está pela verdade. ouve a minha voz. "Disse lhe Pilatos: O que é a verdade? Dito isto, tornou a sair, para ir ter com os judeus e disse-lhes: Não encontro nele crime algum. Ora é costume que eu pela Páscoa, vos solte um prisioneiro; quereis. pois, que vos solte o rei dos judeus? Então gritaram todos novamente, dizendo: Não este. Mas Barrabás. Ora Barrabás era um salteador. Pilatos tomou então Jesus e mandou-o flagelar. Os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha sobre a cabeça e revestiram-no com um manto de púrpura. Depois, aproximavam-se dele e diziam-lhe: Salve, rei dos judeus! e davam-lhe bofetadas. Saiu Pilatos ainda entra vez fora , e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que conheçais que não encontro nele crime algum. Saiu, pois, Jesus trazendo a coroa de espinhos e o manto de Púrpura. E (Pilatos) Eis aqui o homem. Então os, príncipes dos sacerdotes e os ministros, tendo-o visto, gritaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós e crucificai-o, porque eu não em centro nele crime algum Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e segundo a lei deve morrer Porque se fez Filho de Deus. Pilatos, tendo ouvido estas palavras temeu ainda mais. Entrou no Pretório e disse a Jesus: Donde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta Então disse-lhe Pilatos: Não me falas? Não vês que tenho poder para te soltar, e também para te crucificar? Respondeu Jesus: Tu não terias poder algum sobre mim, se não fosse dado do alto. Por isso o que me entregou a ti, tem maio pecado.Desde este momento, procurava Pilatos soltá-lo. Porém os judeus gritavam, dizendo: Se soltas este, não é, amigo de César, Porque todo o que se faz rei, declara-se contra César. Pilatos, tendo ouvido estas palavras, conduziu Jesus para fora e sentou se no seu tribunal. no lugar chamado Lithostrotos, em hebraico Gabbatha. Era a Parásceve (ou dia de preparação) da Páscoa, cerca da hora sexta, e disse aos judeus: Eis o vosso rei. Mas eles gritaram: Tira-o, tira-o, crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Pois eu, hei de crucificar o vosso rei? Responderam os pontífices: Não rei temos rei, senão César. Então entregou-lho, Para que fosse crucificado”.
S. João, 18, 28-40; 19, 1-23
95) Que nos ensina o quarto artigo do Credo: padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado?
O quarto artigo do Credo ensina-nos que Jesus Cristo, para remir o mundo com o seu precioso Sangue, padeceu sob Pôncio Pilatos, governador da Judéia, e
morreu no madeiro da Cruz, da qual foi descido, e no fim sepultado.
96) Que quer dizer a palavra padeceu?
A palavra padeceu exprime todos os sofrimentos suportados por Jesus Cristo na sua Paixão.
97) Padeceu Jesus Cristo enquanto Deus ou enquanto homem?
Jesus Cristo padeceu enquanto homem somente, porque enquanto Deus não podia padecer nem morrer.
98) Que espécie de suplício era o da cruz?
O suplício da cruz era, naqueles tempos, o mais cruel e ignominioso de todos os suplícios.
99) Quem foi que condenou Jesus Cristo a ser crucificado?
Quem condenou Jesus Cristo a ser crucificado foi Pôncio Pilatos, governador da Judéia, o qual no entanto reconhecera a sua inocência; mas cedeu covardemente às ameaças dos judeus.
100) Não poderia livrar-Se Jesus Cristo das mãos dos judeus ou de Pilatos?
Sim, Jesus Cristo podia livrar-Se das mãos dos judeus ou de Pilatos; mas, conhecendo que a vontade do seu Eterno Padre era que Ele padecesse e morresse pela nossa salvação, submeteu-Se voluntariamente, e até saiu ao encontro dos seus inimigos, e deixou-Se espontaneamente prender e conduzir à morte.
101) Onde foi crucificado Jesus Cristo?
Jesus Cristo foi crucificado sobre o monte Calvário.
102) Que fez Jesus Cristo na Cruz?
Jesus Cristo na Cruz orou pelos seus inimigos, deu por Mãe ao discípulo São João, e na pessoa dele a nós todos, a sua mesma Mãe, Maria Santíssima; ofereceu a sua morte em sacrifício, e satisfez à justiça de Deus pelos pecados dos homens.
103) Não bastaria que viesse um Anjo satisfazer por nós?
Não bastava que viesse um Anjo satisfazer por nós, porque a ofensa feita a Deus pelo pecado era, sob certo aspecto, infinita; e para satisfazê-la requeria-se unia pessoa que tivesse merecimento infinito.
104) Para satisfazer à justiça divina era necessário que Jesus Cristo fosse Deus e homem ao mesmo tempo?
Sim, era necessário que Jesus Cristo fosse homem para poder padecer e morrer, e era necessário que fosse Deus, para que os seus sofrimentos fossem de valor
infinito.
105) Por que razão era necessário que os merecimentos de Jesus Cristo fossem de valor infinito?
Era necessário que os merecimentos de Jesus Cristo fossem de valor infinito, porque a majestade de Deus, ofendida pelo pecado, é infinita.
106) Era necessário que Jesus Cristo padecesse tanto?
Não era absolutamente necessário que Jesus Cristo padecesse tanto, porque o menor dos seus sofrimentos bastaria para a nossa redenção, pois cada um dos seus atos era de valor infinito.
107) Por que então Jesus quis sofrer tanto?
Jesus quis sofrer tanto, para satisfazer mais abundantemente à justiça divina, para nos mostrar mais claramente o seu amor, e para nos inspirar maior horror ao
pecado.
108) Aconteceram prodígios na morte de Jesus?
Sim, na morte de Jesus obscureceu-se o sol, tremeu a terra, abriram-se algumas sepulturas, e muitos mortos ressuscitaram.
109) Onde foi sepultado o corpo de Jesus Cristo?
O corpo de Jesus Cristo foi sepultado num túmulo novo, escavado na rocha do monte, pouco distante do lugar onde Ele foi crucificado.
110) Na morte de Jesus Cristo, separou-se a divindade do corpo e dá alma?
Na morte de Jesus Cristo a divindade não se separou nem do corpo nem da alma; mas só a alma se separou do corpo.
111) Por quem morreu Jesus Cristo?
Jesus Cristo morreu pela salvação de todos os homens, e satisfez por todos.
112) Se Jesus Cristo morreu pela salvação de todos, por que nem todos se salvam?
Jesus Cristo morreu por todos, mas nem todos se salvam, porque nem todos O reconhecem, nem todos seguem a sua lei, nem todos se servem dos meios de santificação que nos deixou.
113) Para nos salvarmos não tenha morrido por nós?
Para nos salvarmos não basta que Jesus basta que Jesus Cristo tenha morrido por nós, mas é necessário que sejam aplicados, a cada um de nós, o fruto e os merecimentos da sua Paixão e morte, aplicação que se faz, sobretudo, por meios dos Sacramentos,instituídos para este fim pelo mesmo Jesus Cristo; e como muitos ou não recebem os Sacramentos, ou não os recebem com as condições devidas, eles tornam inútil para si próprios a morte de Jesus Cristo.
“Então os apóstolos e presbíteros, de acordo com toda a Igreja, resolveram escolher alguns homens e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé; escolheram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens influentes entre os irmãos. Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: “Os irmãos, os apóstolos e presbíteros saúdam os irmãos de Antioquia, Síria e Cilícia, convertidos dentre os pagãos. Chegou ao nosso conhecimento que alguns dos nossos vos têm perturbado com palavras, confundindo vossas mentes, sem nenhuma autorização de nossa parte. Por isso resolvemos, de comum acordo, enviar-vos alguns homens escolhidos, em companhia de nossos amados Barnabé e Paulo, que expuseram suas vidas pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos enviando Judas e Silas para vos comunicar de viva voz as mesmas coisas. Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor nenhuma outra exigência além das necessárias: que vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e da prostituição. Procedereis bem evitando estas coisas.* Passai bem”.
Atos 15, 22-29
§ 1o - Da Igreja em geral
142) Que nos ensina o nono artigo do Credo: creio na Santa Igreja Católica; na Comunhão dos Santos?
O nono artigo do Credo ensina-nos que Jesus Cristo fundou sobre a terra uma sociedade visível, a qual se chama Igreja Católica, e que todas as pessoas que fazem parte desta Igreja estão em comunhão entre si.
143) Por que, depois do artigo que trata do Espírito Santo, fala-se imediatamente da Igreja Católica?
Depois do artigo que trata do Espírito Santo, fala-se imediatamente da Igreja Católica, para indicar que toda a santidade da mesma Igreja procede do Espírito
Santo, que é o autor de toda a santidade.
144) Que quer dizer esta palavra Igreja?
A palavra Igreja quer dizer convocação ou reunião de muitas pessoas.
145) Quem nos convocou ou chamou para a Igreja de Jesus Cristo?
Nós fomos chamados para a Igreja de Jesus Cristo por uma graça particular de Deus, a fim de que, com a luz da fé e pela observância da lei divina, Lhe prestemos o culto devido, e cheguemos à vida eterna.
146) Onde se encontram os membros da Igreja?
Os membros da Igreja encontram-se parte no Céu, e formam a Igreja triunfante; parte no Purgatório, e formam a Igreja padecente; parte na terra, e formam a Igreja militante.
147) Estas diversas partes da Igreja constituem uma só Igreja?
Sim, estas diversas partes (la Igreja constituem uma só Igreja e um só corpo, porque têm a mesma cabeça que é Jesus Cristo, o mesmo espírito que as anima e as tine, e o mesmo fim que é a felicidade eterna, que uns já estão gozando e que outros esperam.
148) A qual das partes da Igreja se refere principal mente este nono artigo?
Este nono artigo do Credo refere-se principalmente à Igreja militante, que é a Igreja na qual estamos atualmente.
§ 2o - Da Igreja em particular
149) Que é a Igreja Católica?
A Igreja Católica é a sociedade ou reunião de todas as pessoas batizadas que, vivendo na terra, professam a mesma fé e a mesma lei de Cristo, participam dos
mesmos Sacramentos, e obedecem aos legítimos Pastores, principalmente ao Romano Pontífice.
150) Dizei precisamente o que é necessário para alguém ser membro da Igreja.
Para alguém ser membro da Igreja, é necessário estar batizado, crer e professar a doutrina de Jesus Cristo, participar dos mesmos Sacramentos, reconhecer o
Papa e os outros legítimos Pastores da Igreja.
151) Quem são os legítimos Pastores da Igreja?
Os legítimos Pastores da Igreja são o Pontífice Romano, isto é, o Papa, que é o 1o Pastor universal, e os Bispos. Além disso, sob a dependência dos Bispos e do Papa, têm parte no oficio de Pastores os outros Sacerdotes e especialmente os párocos. ?
152) Por que dizeis que o Pontífice Romano é o Pastor Universal da Igreja?
Porque Jesus Cristo disse a São Pedro, primeiro Papa: “Tu és Pedro, e sobre esta
pedra edificarei a minha Igreja, e dar-te-ei as chaves ao reino dos Céus, e tudo o
que ligares na terra, será ligado no Céu; e tudo o que desligares na terra, será desligado também no Céu”. E disse-lhe mais: “Apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas”.
153) Então não pertencem à Igreja, de Jesus Cristo as sociedades de pessoas batizados que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe?
Todos os que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe, não pertencem
à Igreja de Jesus Cristo.
154) Como se pode distinguir a Igreja de Jesus Cristo, de tantas sociedades ou seitas, fundadas pelos homens, e que se dizem cristãos?
Pode-se distinguir a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, de tantas sociedades ou seitas fundadas pelos homens e que se dizem cristãs, por quatro notas características. Ela é Una, Santa, Católica e Apostólica.
155) Por que dizeis que a Igreja é Una?
Digo que a verdadeira Igreja é Una, porque os seus filhos, de qualquer tempo ou lugar, estão unidos entre si na mesma fé, no mesmo culto, na mesma lei e na
participação dos mesmos Sacramentos, sob o mesmo chefe visível, o Romano Pontífice.
156) Não poderia haver mais de uma Igreja?
Não pode haver mais de uma Igreja, porque, assim como há um só Deus, uma só Fé e um só Batismo, assim também não há nem pode ode haver senão uma só
Igreja verdadeira.
157) Mas não se chamam também igrejas o conjunto dos fiéis de uma nação, ou de uma diocese?
Chamam-se igrejas também o conjunto dos fiéis de uma nação ou de uma diocese, mas são sempre porções da Igreja universal, e formam com ela uma só Igreja.
158) Por que dizeis que a verdadeira Igreja é Santa?
Chamo a verdadeira Igreja de Santa, porque Jesus Cristo, a sua cabeça invisível, é Santo, santos são muitos dos seus membros, santas são a sua Fé e a sua Lei,
santos os seus Sacramentos, e fora dEla não há nem pode haver verdadeira santidade.
159) Por que dizeis que a Igreja é Católica?
Chamo a verdadeira Igreja de Católica, que quer dizer universal, porque abrange os fiéis de todos os tempos, de todos os lugares, de todas as idades e condições, e todos os homens do mundo são chamados a fazer parte dEla.
160) Por que a Igreja se chama também Apostólica?
A verdadeira Igreja chama-se também Apostólica, porque remonta sem interrupção até aos Apóstolos; porque crê e ensina tudo o que creram e ensinaram os Apóstolos; e porque é guiada e governada pelos legítimos sucessores dos Apóstolos.
161) Por que a verdadeira Igreja se chama também Romana?
A verdadeira Igreja chama-se também Romana, porque os quatro caracteres da unidade, santidade, catolicidade e apostolicidade se encontram só na Igreja que tem por chefe o Bispo de Roma, sucessor de São Pedro.
162) Como é constituída a Igreja de Jesus Cristo?
A Igreja de Jesus Cristo é constituída como uma sociedade verdadeira e perfeita. E nEla, como numa pessoa moral, podemos distinguir um corpo e uma alma.
163) Em que consiste a alma da Igreja?
A alma da Igreja consiste no que Ela tem de interior e de espiritual, isto é, a Fé, a Esperança, a Caridade, os dons da graça e do Espírito Santo, e todos os tesouros celestes que lhe provieram dos merecimentos de Cristo Redentor e dos Santos.
164) E o corpo da Igreja, em que consiste?
O corpo da Igreja consiste no que Ela tem de visível e de externo, quer na associação dos seus membros, quer no seu culto e no seu ministério de -ensino, quer no seu governo e ordem externa.
165) Para nos salvarmos basta sermos de qualquer maneira membros da Igreja Católica?
Não basta para nos salvarmos o sermos de qualquer maneira membros da Igreja Católica, mas é preciso que sejamos seus membros vivos.
166) Quais são os membros vivos da Igreja?
Os membros vivos da Igreja são todos os justos e só eles, isto é, aqueles que estão atualmente em graça de Deus.
167) E quais são nEla os membros mortos?
Membros mortos da Igreja são os fiéis que estão em pecado mortal.
168) Pode alguém salvar-se fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana?
Não. Fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana, ninguém pode salvar-se, como ninguém pôde salvar-se do dilúvio fora da arca de Noé, que era figura desta
Igreja.
169) Como então se salvaram os antigos Patriarcas, os Profetas, e todos os outros justos do Antigo Testamento?
Todos os justos do Antigo Testamento se salvaram em virtude da fé que tinham em Cristo que havia de vir, por meio da qual eles já pertenciam espiritualmente
a esta Igreja.
170) Mas quem se encontrasse, sem culpa sua, fora da Igreja, poderia salvar-se?
Quem, encontrando-se sem culpa sua - quer dizer, em boa fé - fora da Igreja, tivesse recebido o batismo, ou tivesse desejo, ao menos implícito, de o receber e além disso procurasse sinceramente a verdade, e cumprisse a vontade de Deus o melhor que pudesse, ainda que separado do corpo da Igreja, estaria unido à alma dEla, e portanto no caminho da salvação.
171) E quem, sendo muito embora membro da Igreja Católica, não pusesse em prática os seus ensinamentos, salvar-se-ia?
Quem, sendo muito embora membro da Igreja Católica, não pusesse em prática os seus ensinamentos, seria membro morto, e portanto não se salvaria, porque
para a salvação de um adulto requer-se não só o Batismo e a fé, mas também as obras conformes à fé.
172) Somos obrigados a acreditar todas as verdades que a Igreja ensina?
Sim, somos obrigados a acreditar todas as verdades que a Igreja nos ensina, e Jesus Cristo declarou que quem não crê, já está condenado.
173) Somos também obrigados a fazer tudo o que a Igreja manda?
Sim, somos obrigados a fazer tudo o que a Igreja manda, porque Jesus Cristo disse aos Pastores da Igreja: “Quem vos ouve, a Mim ouve, e quem vos despreza, a Mim despreza”.
174) Pode enganar-Se a Igreja nas coisas que nos propõe para crermos?
Não. Nas coisas que nos propõe para crer, a Igreja não pode enganar-Se, porque, segundo a promessa de Jesus Cristo, é sempre assistida pelo Espírito Santo.
175) A Igreja Católica é então infalível?
Sim, a Igreja Católica é infalível. Por isso aqueles que rejeitam as suas definições, perdem a fé, e fazem-se hereges.
176) A Igreja Católica pode ser destruída ou perecer?
Não. A Igreja Católica pode ser perseguida, mas não pode ser destruída nem perecer. Ela há de durar até ao fim do mundo, porque até ao fim do mundo Jesus
Cristo estará com Ela, como prometeu.
177) Por que é a Igreja Católica tão perseguida?
A Igreja Católica é tão perseguida, porque assim foi também perseguido o seu Divino Fundador, e porque reprova os vícios, combate as paixões e condena todas as injustiças e todos os erros.
178) Há mais alguns deveres dos católicos para com a Igreja?
Todo o cristão deve ter para com a Igreja um amor ilimitado, considerar-se feliz e infinitamente honrado por pertencer a Ela, e empenhar-se pela glória e aumento
dEla por todos os meios ao seu alcance.
§ 3o - Da Igreja docente e da Igreja discente
Um anjo do Senhor falou a Filipe: “Vai para o sul pelo caminho que, através do deserto, desce de Jerusalém para Gaza”. E Filipe partiu. Ora, um etíope, camareiro e tesoureiro-mor a serviço da rainha Candace da Etiópia, tinha ido prestar culto em Jerusalém. Voltava, sentado no seu carro, lendo o profeta Isaías. O Espírito Santo disse a Filipe: “Aproxima-te e acompanha aquele carro”. Filipe acelerou o passo. Ouvindo que lia o profeta Isaías, perguntou: “Será que estás entendendo o que lês?” Ele respondeu: “Como é que vou entender se ninguém me orienta?” Então convidou Filipe para subir e sentar-se ao seu lado. A passagem da Escritura que ele lia era a seguinte : Como uma ovelha levada ao matadouro, e como um cordeiro diante de quem o tosquia, ele emudeceu e não abre a boca. Com humilhação foi consumado o seu julgamento; de seus descendentes, quem falará? pois a sua vida é tirada da terra. O camareiro perguntou a Filipe: “Dize-me, de quem o profeta está falando? De si mesmo ou de outro?” Filipe pôs-se a falar e, começando com esta passagem da escritura, anunciou-lhe a boa-nova de Jesus. Seguindo o caminho, encontraram água e o camareiro disse: “Aqui existe água, o que impede que eu seja batizado?” Mandou parar o carro, e os dois desceram para a água, Filipe e o camareiro, e Filipe o batizou. Quando subiram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe, e o camareiro já não o viu, mas alegre prosseguiu seu caminho. Quanto a Filipe, foi parar em Azoto e, de passagem, anunciava a boa-nova a todas as cidades até chegar a Cesaréia” Atos 8, 26-40
179) Há alguma distinção entre os membros que compõem a Igreja?
Entre os membros que compõem a Igreja há distinção muito importante, porque há uns que mandam, outros que obedecem, uns que ensinam, outros que são
ensinados.
180) Como se chama a parte da Igreja que ensina?
A parte da Igreja que ensina chama-se docente, ou ensinante.
181) E a parte da Igreja que é ensinada, como se chama?
A parte da Igreja que é ensinada chama-se discente.
182) Quem estabeleceu esta distinção na Igreja?
Esta distinção na Igreja estabeleceu-a o próprio Jesus Cristo.
183) A Igreja docente e a Igreja discente são, pois, duas Igrejas distintas?
A Igreja docente e a Igreja discente são duas partes distintas de uma só e mesma Igreja, como no corpo humano a cabeça é distinta dos outros membros, e,
não obstante, forma com eles um corpo só.
184) De que pessoas se compõe a Igreja docente?
A Igreja docente compõe-se de todos os Bispos (quer se encontrem dispersos, quer se encontrem reunidos em Concílio), unidos à sua cabeça, o Romano Pontífice.
185) E a Igreja discente, de que pessoas é composta?
Á Igreja discente é composta de todos os fiéis.
186) Quais são as pessoas que têm na Igreja autoridade de ensinar?
Os que têm na Igreja o poder de ensinar são o Papa e os Bispos e, sob a dependência destes, os outros ministros sagrados.
187) Somos obrigados a ouvir a Igreja docente?
Sim, sem dúvida, somos todos obrigados a ouvir a Igreja docente, sob pena de condenação eterna, porque Jesus Cristo disse aos Pastores da Igreja, na pessoa dos Apóstolos: “Quem vos ouve, a Mim ouve, e quem vos despreza, a Mim despreza”.
188) Além da autoridade de ensinar, tem a Igreja mais algum poder?
Sim, além da autoridade de ensinar, a Igreja tem especialmente o poder de administrar as coisas santas, de fazer leis e de exigir a sua observância.
189) Virá do povo o poder que têm os membros da hierarquia eclesiástica?
O poder que têm os membros da hierarquia eclesiástica não vem do Povo, e seria heresia o dizê-lo: vem unicamente de Deus.
190) A quem compete o exercício destes poderes?
O exercício destes poderes compete unicamente ao corpo hierárquico, isto é, ao Papa e aos Bispos a ele subordinados.
§ 4o - Do Papa e dos Bispos
“Chegando à região de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: “Quem as pessoas dizem que é o Filho do homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas”. Então ele perguntou-lhes: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu:“Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Em resposta, Jesus disse: “Feliz és tu, Simão filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue quem te revelou isso, mas o Pai que está nos céus. E eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e as portas do inferno nunca levarão vantagem sobre ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus, e tudo que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo que desligares na terra será desligado nos céus”. E deu
ordens aos discípulos de não falarem para ninguém que ele era o Cristo”. Mt 16, 13-20.
191) Quem é o Papa?
O Papa, a quem chamamos também Sumo Pontífice ou Romano Pontífice, é o sucessor de São Pedro na Sede de Roma, o Vigário de Jesus Cristo na terra, e o chefe visível da Igreja.
192) Por que o Romano Pontífice é o sucessor de São Pedro?
O Romano Pontífice é o sucessor de São Pedro. porque São Pedro reuniu na sua pessoa a dignidade de Bispo de Roma e de chefe da Igreja e porque, por disposição divina, estabeleceu em Roma a sua sede, e aí morreu. Por isso quem é eleito Bispo de Roma, é também herdeiro de toda a sua autoridade.
193) Por que o Romano Pontífice é o Vigário de Jesus Cristo?
O Romano Pontífice é o Vigário de Jesus Cristo porque ele O representa na terra, e faz as suas vezes no governo da Igreja.
194) Por que o Romano Pontífice é o Chefe visível da Igreja?
O Romano Pontífice é o Chefe visível da Igreja porque a dirige visivelmente com a mesma autoridade de Jesus Cristo, que é a cabeça invisível da Igreja.
195) Qual é, pois, a dignidade do Papa?
A dignidade do Papa é a maior entre todas as dignidades da terra e dá-lhe um poder supremo e imediato sobre todos e cada uni dos Pastores e dos fiéis.
196) Pode errar o Papa ao ensinar à Igreja?
O Papa não pode errar, quer dizer, é infalível nas definições que dizem respeito à fé e aos costumes.
197) Qual é o motivo por que o Papa é infalível?
O Papa é infalível em razão da promessa de Jesus Cristo e da contínua assistência do Espírito Santo.
198) Quando o Papa é infalível?
O Papa é infalível só quando, na sua qualidade de Pastor e Mestre de todos os cristãos, em virtude da sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina relativa à fé e aos costumes, que deve ser seguida por toda a Igreja.
199) Quem não acreditasse nas definições solenes do Papa, que pecado cometeria?
Quem não acreditasse nas definições solenes do Papa, ou ainda só duvidasse delas, pecaria contra a fé; e, se se obstinasse nesta incredulidade, já não seria mais católico, mas herege.
200) Para que fim Deus concedeu ao Papa o dom da infalibilidade ?
Deus concedeu ao Papa o dom da infalibilidade, a fim de que todos estejam certos e seguros da verdade que ti Igreja ensina.
201) Quando foi definido que o Papa é infalível ?
A infalibilidade do Papa foi definida pela Igreja rio Concílio do Vaticano; e, se alguém ousasse contradizer esta definição, seria herege e excomungado
202) A Igreja, ao definir que o Papa é infalível, estabeleceu porventura uma nova verdade de fé ?
Não. A Igreja, ao definir que o Papa é infalível, não estabeleceu uma nova verdade de fé, mas só definiu, parti se opor a erros novos, que a infalibilidade do
Papa, contida já tia Sagrada Escritura e na Tradição, e uma verdade revelada por Deus, e que por conseguinte se deve crer como dogma ou artigo de fé
203) Como todo o católico deve proceder para com o Papa ?
Todo o católico deve reconhecer o Papa como Pai, Pastor e Mestre universal, e estar unido a ele de espírito e coração.
204) Depois do Papa quais são, por instituição divina , as personagens mais venerandas na Igreja?
Depois do Papa, por instituição divina, as personagens mais venerandas na Igreja são os Bispos.
205) Quem são os Bispos ?
Os Bispos são os Pastores aos fiéis, estabelecidos pelo Espírito Santo para governar a Igreja de Deus, nas sedes que lhes são confiadas sob a dependência do Romano Pontífice.
206) Que é o Bispo na própria diocese ?
O Bispo na própria diocese é o Pastor legítimo, o Pai, o Mestre, o superior de todos os fiéis, eclesiásticos e leigos, que pertencem à mesma diocese.
207) Por que o Bispo se chama Pastor legítimo ?
Chama-se o Bispo Pastor legítimo, porque ti jurisdição, isto é, o poder que tem de governar os fiéis da própria diocese, foi-lhe conferido segundo as normas e leis da Igreja.
208) De quem são sucessores o Papa e os Bispos ?
O Papa é sucessor de São Pedro, Príncipe dos Apóstolos, e os Bispos são sucessores dos Apóstolos, tio que diz respeito ao governo ordinário da Igreja.
209) Deve o fiei estar unido ao próprio Bispo ?
Sim, todo o fiel, eclesiástico ou leigo, deve estar unido de espírito e de coração ao próprio Bispo que está em graça e comunhão com a Se Apostólica.
210) Como deve proceder o fiei para com o próprio Bispo ?
Todo o fiel, eclesiástico ou leigo, deve respeitar, amar e honrar o próprio Bispo, e prestar-lhe obediência em tudo o que se refere ao bem das almas e ao governo
espiritual da diocese.
211) Quais são os auxiliares do Bispo na cura das almas ?
Os auxiliares do Bispo na cura das almas são os Sacerdotes, e principalmente os párocos.
212) Quem é o pároco ?
O pároco é um Sacerdote delegado para presidir e dirigir, sob a dependência do Bispo, uma porção da diocese, que se chama paróquia.
213) Que deveres têm os fiéis para com o seu pároco ?
Os fiéis devem conservar-se unidos tio seu pároco, ouvi-lo com docilidade, professar-lhe respeito e submissão em tudo o que interessa ao bem da paróquia.
5o - Da comunhão dos Santos
O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os olhos, o que contemplamos e nossas mãos apalparam no tocante ao Verbo da vida a – porque a vida se manifestou e nós vimos e testemunhamos, anunciando-vos a vida eterna que estava com o Pai e nos foi manifestada – o que vimos e ouvimos, nós também vos anunciamos a fim de que também vós vivais em comunhão conosco. Ora, nossa comunhão é com o Pai e seu Filho, Jesus Cristo. Nós vos escrevemos estas coisas para nossa alegria ser completa! Para viver na luz. A mensagem que dele ouvimos e vos anunciamos é esta: Deus é luz, nele não há trevas. Se dizemos ter comunhão com ele mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andamos na luz, assim como ele está na luz, estamos em comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dizemos que em nós não há pecado, enganamos a nós mesmos e a verdade não está conosco. Se confessamos nossos pecados, fiel e justo é Deus para nos perdoar e nos purificar de toda iniqüidade. Se dizemos que não pecamos, chamamos Deus de mentiroso e sua palavra não está conosco. I João 1, 1-10
214) Que nos ensina o nono artigo do Credo com aquelas palavras: na comunhão dos Santos ?
Com as palavras: na comunhão dos Santos, o nono artigo do Credo ensina nos que na Igreja, pela íntima união que existe entre todos os seus membros, são
comuns os bens espirituais, assim internos Como externos, que lhe pertencem.
215) Quais são na Igreja os bens comuns internos ?
Os bens comuns internos na Igreja são: a graça que se recebe nos Sacramentos, a Fé, a Esperança, a Caridade, os merecimentos infinitos de Jesus Cristo, os merecimentos superabundantes da Santíssima Virgem e dos Santos, e o fruto de todas as boas obras que na mesma Igreja se fazem.
216) Quais são os bens externos comuns na Igreja ?
Os bens externos comuns na Igreja são: os sacramentos, o Santo Sacrifício da
Missa, as orações públicas, as funções religiosas, e todas as outras práticas exteriores que unem entre si os fiéis.
217) Nesta comunhão de bens entram todos os filhos da Igreja ?
Na comunhão dos bens internos entram somente os cristãos que estão em graça de Deus; os que estão em pecado mortal não participam de todos estes bens.
218) Por que não participam de todos estes bens aqueles que estão em pecado mortal ?
Porque é a graça de Deus. vida sobrenatural da alma, que une os fiéis a Deus e a Jesus Cristo como seus membros vivos e os torna capazes de fazer obras meritórias para a vida eterna; e porque aqueles que se encontram em estado de pecado mortal, não tendo a graça de Deus, estão excluídos da comunhão perfeita dos bens espirituais e não podem fazer obras meritórias rias para a vida eterna.
219) Então os cristãos que estão em pecado mortal não tiram proveito nenhum dos bens internos e espirituais da Igreja ?
Os cristãos que estão em pecado mortal tiram ainda assim algum proveito dos bens internos e espirituais da Igreja, porquanto conservam o caráter de cristãos, que é indelével, e a virtude da Fé que é a raiz de toda justificação. Por isso são auxiliados pelas orações e boas obras dos fiéis, para obterem a graça da conversão.
220) Os que estão em pecado mortal podem participar dos bens externos da Igreja ?
Os que estão em pecado mortal podem participar dos bens externos da Igreja, contanto que não estejam separados da mesma Igreja pela excomunhão.
221) Por que os membros desta comunhão, considerados no seu conjunto, se chamam Santos ?
Os membros desta comunhão chamam-se Santos, porque todos são chamados à santidade, e foram santificados por meio do Batismo, e muitos deles atingiram la a santidade perfeita.
222) A comunhão dos Santos estende-se também ao Céu e ao Purgatório ?
Sim, a comunhão dos Santos estende-se também ao Céu e ao Purgatório, porque a caridade une as três igrejas - triunfante, padecente e militante -; e os Santos
rogam a Deus por nós e pelas almas do Purgatório, e nós damos honra e glória aos Santos, e podemos aliviar as almas do Purgatório, aplicando, em sufrágio delas, Missas, esmolas, indulgências e outras boas obras.
§ 6o - Daqueles que estão fora da Igreja
223) Quem são os que não participam da comunhão dos Santos ?
Aqueles que não participam da comunhão dos Santos são, na outra vida, os condenados, e nesta vida aqueles que não pertencem nem à alma nem ao corpo da Igreja, quer dizer, aqueles que estão em estado de pecado rnortal e se encontram fora da verdadeira Igreja.
224) Quem são os que se encontram fora da verdadeira Igreja ?
Encontram-se fora da verdadeira Igreja os infiéis, os judeus, os hereges, os apóstatas, os cismáticos e os excomungados.
225) Quem são os infiéis ?
Os infiéis são aqueles que não foram batizados e não crêem em Jesus Cristo, seja porque crêem e adoram falsas divindades, como os idólatras; seja porque, embora admitam o único Deus verdadeiro, não crêem em Cristo Messias, nem como vindo na pessoa de Jesus Cristo, nem como havendo de vir ainda: tais são os maometanos e outros semelhantes.
226) Quem são os judeus ?
Os judeus são aqueles que professam a lei de Moisés, não receberam o batismo, nem crêem em Jesus Cristo.
227) Quem são os hereges ?
Os hereges são as pessoas batizadas que recusam com pertinácia crer em alguma verdade revelada por Deus e ensinada como de fé pela Igreja Católica: por exemplo, os arianos, os nestorianos e as várias seitas dos protestantes.
228) Quem são os apóstatas ?
Os apóstatas são aqueles que abjuram, isto é, renegam, com ato externo, a fé católica, que antes professavam.
229) Quem são os cismáticos ?
Os cismáticos são os cristãos que, não negando explicitamente dogma algum, se separam voluntariamente da Igreja de Jesus Cristo, ou dos legítimos Pastores.
230) Quem são os excomungados ?
Os excomungados são aqueles que por faltas graves são fulminados com excomunhão pelo Papa ou pelo Bispo, e portanto são separados, como indignos, do corpo da Igreja, a qual espera e deseja a sua conversão.
231) Deve-se temer a excomunhão ?
Deve-se temer grandemente a excomunhão, porque é o castigo mais grave e mais terrível que a Igreja pode infligir aos seus filhos rebeldes e obstinados.
232) De que bens ficam privados os excomungados ?
Os excomungados ficam privados das orações publicas, dos Sacramentos, das indulgências e excluídos da sepultura eclesiástica.
233) Podemos nós auxiliar de alguma maneira os ex. comungados ?
Nós podemos auxiliar de alguma maneira os excomungados e todos os outros que estão fora da verdadeira Igreja com advertências salutares, com orações e boas obras, suplicando a Deus que pela sua misericórdia lhes conceda a graça de se converterem à Fé e de entrarem na comunhão dos Santos.
Da oração em geral
“Jesus contou também a seguinte parábola para alguns que confiavam em si mesmos, tendo-se por justos, e desprezavam os outros: “Dois homens subiram ao Templo para orar; um era fariseu, o outro, um cobrador de impostos. O fariseu rezava, de pé, desta maneira: ‘Ó meu Deus, eu te agradeço por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos, adúlteros, nem mesmo como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana, pago o dízimo de tudo que possuo’. Mas o cobrador de impostos, parado à distância, nem se atrevia a levantar os olhos para o céu. Batia no peito, dizendo: ‘Ó meu Deus, tem piedade de mim, pecador! Eu vos digo: Este voltou justificado para casa e não aquele. Porque todo aquele que se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”. Luc 18, 9-14 “E quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé nas sinagogas e nas esquinas das praças para serem vistos pelos outros. Eu vos garanto: eles já receberam a recompensa. Mas quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza ao teu Pai que está no oculto. E o Pai, que vê no oculto, te dará a recompensa. E nas orações não faleis muitas palavras, como os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por causa das muitas palavras. Não os imiteis, pois o Pai já sabe de vossas necessidades antes mesmo de pedirdes”.
Mt 6, 2-9
252) De que trata a segunda parte da Doutrina Cristã?
A segunda parte da Doutrina Cristã trata da oração em geral, e do Padre-Nosso em particular.
253) Que é a oração?
A oração é uma elevação da alma a Deus, para adora-Lo, para Lhe dar graças e para Lhe pedir aquilo de que precisamos.
254) Como se divide a oração?
A oração divide-se em mental e vocal. Oração mental é a que se faz só com a alma; oração vocal a que se faz com as palavras acompanhadas da atenção do espírito e da devoção do coração.
255) Pode dividir-se de outra maneira a oração?
A oração pode também dividir-se em particular e pública.
256) Que é a oração particular?
A oração particular é a que faz cada um em particular, por si ou pelos outros.
257) Que é a oração pública?
A oração pública é a que fazem os ministros sagrados, em nome da Igreja, e pela salvação do povo fiel. Pode-se chamar pública também a oração feita em comum e publicamente pelos fiéis, como nas procissões, nas peregrinações e na Igreja.
258) Temos nós esperança fundamentada de obter por meio da oração os auxílios e graças de que necessitamos?
A esperança de obter de Deus as graças de que necessitamos, é fundamentada nas promessas de Deus onipotente, muito misericordioso e fidelíssimo, e nos merecimentos de Jesus Cristo.
259) Em nome de quem devemos pedir a Deus as graças de que necessitamos?
Devemos pedir a Deus as graças de que necessitamos, em nome de Jesus Cristo, como Ele mesmo nos ensinou e como pratica a Igreja, a qual termina sempre as suas orações com estas palavras: per Dorninum nostrum Jesurn Christurn, que quer dizer: por Nosso Senhor Jesus Cristo.
260) Por que devemos pedir a Deus as graças em nome de Jesus Cristo?
Devemos pedir as graças em nome de Jesus Cristo, porque, sendo Ele o nosso mediador, só por meio dEle podemos aproximar-nos do trono de Deus.
261) Se a oração tem tanta eficácia, como é que tantas vezes não são atendidas as nossas orações?
Muitas vezes as nossas orações não são atendidas, ou porque pedimos coisas que não convêm à nossa eterna salvação, ou porque não pedimos como deveríamos.
262) Quais são as coisas que principalmente devemos pedir a Deus?
Devemos principalmente pedir a Deus a sua glória, a nossa salvação e os meios para consegui-la.
263) Não é também lícito pedir bens temporais?
Sim, é também lícito pedir a Deus os bens temporais, sempre com a condição de que sejam conformes à sua santíssima vontade, e não sejam obstáculo à nossa eterna salvação.
264) Se Deus sabe tudo aquilo de que necessitamos, por que devemos rezar?
Embora Deus saiba tudo aquilo de que necessitamos , quer todavia que nós Lho peçamos, para reconhecermos que é Ele que dá todos os bens, para Lhe testemunharmos a nossa humilde submissão, e para merecermos os seus favores.
265) Qual é a primeira e a melhor disposição para tornar eficazes as nossas orações?
A primeira e a melhor disposição, para tornar eficazes as nossas orações, é estar em estado de graça, ou, não o estando, ao menos desejar recuperar esse estado.
266) Que mais disposições se requerem para bem orar?
Para bem orar requerem-se especialmente o recolhimento, a humildade, a confiança, a perseverança e a resignação.
267) Que quer dizer orar com recolhimento?
Quer dizer: pensar que estamos a falar com Deus; e por isso devemos orar com todo o respeito e a devoção possíveis, evitando, quanto for possível, as distrações, isto é, todo o pensamento estranho à oração.
268) Diminuem as distrações o merecimento da oração?
Sim, quando nós mesmos as provocamos, ou não as repelimos com diligência. Se porém fizermos quanto podemos para estarmos recolhidos em Deus, então as distrações não diminuem o merecimento da nossa oração, mas até o podem aumentar.
269) Que se requer para fazermos oração com recolhimento?
Devemos antes da oração afastar todas as ocasiões de distração, e durante a oração devemos pensar que estamos na presença de Deus, que nos vê e nos ouve.
270) Que quer dizer orar com humildade?
Quer dizer: reconhecer sinceramente a nossa indignidade, incapacidade e miséria, acompanhando a oração com a compostura do corpo.
271) Que quer dizer orar com confiança?
Quer dizer que devemos ter firme esperança de sermos atendidos, se daí provier a glória de Deus e o nosso verdadeiro bem.
272) Que quer dizer orar com perseverança?
Quer dizer que não nos devemos cansar de orar, se Deus não nos atender imediatamente, senão que devemos continuar a orar ainda com mais fervor.
273) Que quer dizer orar com resignação?
Quer dizer que nos devemos conformar com a vontade de Deus, que conhece melhor do que nós quanto nos é necessário para a nossa salvação eterna, ainda
mesmo no caso em que as nossas orações não fossem atendidas.
274) Atende Deus sempre as orações bem feitas?
Sim, Deus atende sempre as orações bem feitas; mas da maneira que Ele sabe ser mais útil para a nossa salvação eterna, e não sempre segundo a nossa vontade.
275) Que efeitos produz em nós a oração?
A oração faz-nos reconhecer a nossa dependência, em todas as coisas, de Deus, supremo Senhor, faz-nos progredir na virtude, alcança-nos de Deus misericórdia fortalece-nos contra as tentações, conforta-nos nas tribulações, auxilia-nos nas nossas necessidades e alcança-nos a graça da perseverança final.
276) Quando devemos especialmente orar?
Devemos orar especialmente nos perigos, nas tentações e no momento da morte; além disso, devemos orar freqüenternente, e é bom que o façamos pela manhã e à noite, e no princípio das ações importantes do dia.
277) Por quem devemos orar?
Devemos orar por todos; isto é, por nós mesmos pelos nossos parentes, superiores, benfeitores, amigos e inimigos; pela conversão dos pobres pecadores, daqueles que estão fora da verdadeira Igreja, e pelas benditas almas do Purgatório.