
terça-feira, 27 de abril de 2010
Assassinato “selvagem e bárbaro”: Membro da seita universal do reino de satanás mata os pais, para pagar o dízimo.

Assassinato “selvagem e bárbaro”: Membro da seita universal do reino de satanás mata os pais, para pagar o dízimo.
Lineusa Rodrigues da Silva de 24 anos, matou seus pais adotivos, e ainda esquartejou seus corpos na manhã neste último domingo (25/04/2010) na cidade de Timon, estado do Maranhão.
Segundo a Polícia, a jovem teria matado Joana Borges da Silva e Lourival Rodrigues da Silva, porque eles se recusaram a dar dinheiro a ela. Para assassinar o casal de idosos, ela fez uso de um machado e mais pedaço um de pau.
Ao prestar depoimento à delegada Wládia, da Central de Flagrantes de Timon, a acusada afirmou que precisava do dinheiro para pagar o dízimo de sua igreja e por esse motivo resolveu matá-los.
“Ela teria débitos de dízimos da Igreja Universal e extorquia os pais para pagá-los, como eles se negaram, era teria praticamente premeditado o crime”, destaca a delegada.
O crime foi considerado pelos próprios policiais como “selvagem e bárbaro”. O corpo do pai foi encontrado com a face achatada por um golpe de machado na sala, da residência onde os três moravam juntos, na Vila Angélica.
A mãe, que é cadeirante e estava deitada, não pode se defender, das facadas que a filha desferiu. Dona Joana teve o tórax aberto pelo serrote.
Armas do crimeA Igreja Universal do Reino de Deus do bairro Formosa em Timon informou que há cerca de 15 meses Lineusa não frequentava mais a igreja e que todos fiéis não são obrigados a pagar dízimo.
Lineusa foi presa e autuada em flagrante pelo duplo homicídio. Ela foi conduzida para a Penitenciária Jorge Vieira, em Timon, e está à disposição da Justiça.
Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.
Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos?
Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos.
Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos.
Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.
Pelos seus frutos os conhecereis.
Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?
E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus! (São Mateus cap. 7,15-23).
Documentário - O Que perdemos...
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Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé?
Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé?

A Unidade da Igreja no Pensamento Paulino.
A experiência de Paulo na primitiva comunidade cristã é de caráter único. Partindo de uma rígida ortodoxia farisaica, o Apóstolo dos gentios experimenta, na visão às portas de Damasco, a dimensão intrínseca do ser eclesial, a sua identificação com o Cristo a quem ele perseguia (At 9,3-5). Esse fato vai marcar profunda e duradouramente a sua teologia. Nunca mais será capaz de olhar para uma comunidade cristã como para um simples agrupamento de pessoas. Lá há algo mais; uma unidade indestrutível, fundamentada na unidade do próprio Cristo. Paulo não vai se cansar de repetir essa lição. Por isso resultam tão dolorosas, para ele, as divisões entre os cristãos; divisões de todos os tipos que ele teve de enfrentar. Primeiramente, na controvérsia entre judaizantes e "modernizantes"; depois na rivalidade entre os diversos pregadores (Apolo, Cefas, o próprio Paulo...); mais tarde, entre carismáticos e não-carismáticos; finalmente, entre escravos e livres.
O princípio fundamental da teologia da unidade no pensamento paulino encontra-se formulado na Epístola aos Gálatas: "Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; pois todos vós sois um só em Cristo Jesus" (Gi 3,28). Aqui parecem emergir os problemas concretos das comunidades paulinas: o elitismo judeu contra o espírito de dominação helenístico; a sociedade desigual e escravocrata contra as revoltas libertárias; o machismo alicerçado pela legislação romana contra a conduta extremamente livre das mulheres do patriciado. Diante dessas diferenças aparentes, Paulo indica o único e verdadeiro centro de unidade: Cristo Jesus. Nele, todos são uma coisa só. Quase parece escutar-se aqui o pedido do próprio Jesus: "Que todos sejam uma coisa só!"
O FUNDAMENTO DA UNIDADE: A IDENTIDADE COM CRISTO, NO ÚNICO CORPO
Como dizíamos, para Paulo a experiência de Damasco foi o ponto de partida para sua construção da teologia da unidade. A identificação que o próprio Cristo lhe manifestara ("Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo"; At 9,5) abriu, perante os seus olhos, um horizonte inesperado. Havia um único Corpo, com uma única vida que se difundia por todos os membros. Havia uma comunicação misteriosa, mas real. A rigor, nem se poderia falar de indivíduos, pois no Corpo todos ficam unificados: "Assim também acontece com Cristo" (1Cor 12,12), exclama Paulo, quebrando o ritmo da frase, que exigiria logicamente um "assim também acontece convosco". O sujeito da unidade não é a soma dos cristãos, mas o Cristo que os incorpora e os faz seus. Ainda mais, nesse Corpo, o princípio vital é o mesmo Espírito que impulsionou Jesus em sua vida: "Pois fomos todos batizados num só Espírito para ser um só corpo, judeus e gregos, escravos e livres, e todos bebemos de um só Espírito". E, ao lado do batismo, o outro grande sacramento, a Eucaristia, participação no Corpo e no Sangue do Senhor, também alicerça a unidade: "Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão" (1Cor 10,17).
Para Paulo, essa união íntima, profunda entre os membros da Igreja, não fica num vago afeto ou numa realidade escondida, que permaneça conhecida unicamente por Deus. Ao contrário, trata-se de algo que, pela sua própria natureza, deve traduzir-se também na ordem externa, visível. A primeira Epístola aos Coríntios, que acabamos de citar, tem uma meta muito clara: "Eu vos exorto, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo: guardai a concórdia uns com os outros, de sorte que não haja divisões entre vós; sede estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar" (1Cor 1,10). As divisões, quando existem, têm, de acordo com a teologia paulina, um efeito purificador: "Ouço dizer que, quando vos reunis em assembléia, há entre vós divisões, e, em parte, o creio. É preciso que haja até mesmo cisões entre vós, a fim de que se tornem manifestos entre vós aqueles que são comprovados" (1Cor 11,18-19). A meta, porém, é a unidade no único Corpo, a comunhão em torno ao Cristo. "Cristo estaria dividido?" (1Cor 1,13).
TODA A OBRA DE CRISTO TEM UM SENTIDO RECONCILIADOR
A teologia do Corpo se desenvolve nas grandes epístolas paulinas (Romanos e Coríntios), em torno da solidariedade dos membros, porque participantes de uma única vida. Mas essa teologia atinge um desenvolvimento ulterior nas chamadas "epístolas do cativeiro" sobretudo Efésios e Colossenses. Nelas aparece uma nova argumentação. Já não se trata de fundamentar a unidade entre os cristãos e referi-la a Cristo. Há algo mais. Toda a criação passa a ter sentido na medida em que se unifica na "recapitulação" em Cristo. Este é "a cabeça" e já não se identifica pura e simplesmente com o Corpo. O cristão continua a ser membro de um único corpo, mas esse corpo é a Igreja, como que a mediar a unidade. A Cabeça dá a vida ao Corpo, mas se distingue dele.
Não vamos entrar na polêmica sobre a autoria destas cartas, se diretamente de Paulo ou não, sobretudo a carta aos Efésios, embora a crítica atual tenha revisto, em grande parte, suas posições e se incline majoritariamente pela afirmativa. O que nos interessa sublinhar é que representam uma evolução ulterior e harmônica da teologia paulina do Corpo e que, para as comunidades cristãs, foram e são parte integrante do cânon do Novo Testamento.
Pois bem, nessa teologia evoluída, não só a vida da comunidade cristã mas a criação inteira tem um sentido de unidade em Cristo. O mistério da vontade eterna do Pai, "para levar o tempo a sua plenitude", consiste em "em Cristo encabeçar (ou recapitular) todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra" (Ef 1,10).
Daí se deduz bem claramente que todo esforço para construir a unidade, não só interna e na caridade, mas também externa e social, é parte do plano eterno de Deus. A própria paixão de Cristo tem um sentido reconciliador e unificador. "Ele é a nossa paz: de ambos os povos fez um só, tendo derrubado o muro de separação e suprimido em sua carne a inimizade - a Lei dos mandamentos expressa em preceitos - a fim de criar em si mesmo um só Homem Novo, estabelecendo a paz, e de reconciliar a ambos com Deus em um só Corpo, por meio da cruz, na qual ele matou a inimizade. Assim, ele veio e anunciou paz a vós que estáveis longe e paz aos que estavam perto, pois, por meio dele, nós, judeus e gentios, num só Espírito, temos acesso junto ao Pai" (Ef 2,14-18).
A mesma visão unitária se repete na Epístola aos Colossenses: "Ele (Cristo) é a cabeça da Igreja, que é o seu Corpo. Ele é o Princípio, o Primogênito dos mortos (tendo em tudo a primazia), pois nele aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude e reconciliar por ele e para ele todos os seres, os da terra e os dos céus, realizando a paz pelo sangue de sua cruz" (Cl 1,18-20). A conseqüência que daí se tira é a mesma das grandes Epístolas: "Aí não há mais grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro, cita, escravo, livre, mas Cristo é tudo em todos" (Cl 3,11).
CONSEQÜÊNCIAS DA TEOLOGIA PAULINA DA UNIDADE
A teologia paulina da unidade representa um desafio a todas as nossas divisões, porque elas se apresentam como a maior contradição possível com a obra de Cristo e com seu "mistério". No fundo acabam por negar todo o sentido da criação. Quem tem o Espírito de Cristo deve procurar a unidade com todas as suas forças. Por isso, brota espontânea a exortação de Ef 4,1-6: "Exorto-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, a andardes de modo digno da vocação a que fostes chamados: com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros com amor, procurando conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, assim como é uma só a esperança da vocação a que fostes chamados: há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; há um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos". As razões invocadas pelo autor da Epístola, para uma comunidade concreta (a de Colossos) continuam válidas para nós, hoje. Também hoje devemos dizer que há um só Corpo. E é evidente que não se trata de algo invisível, mas de algo bem concreto, daquilo que a Constituição dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja, do Concílio Vaticano II chama "a única Igreja de Cristo, que no Símbolo confessamos una, santa, católica e apostó- lica... constituída e organizada neste mundo como uma sociedade visível" (n. 8). É uma "comunidade de fé, esperança e caridade constituída como organismo visível pelo qual Cristo difunde a verdade e a graça a todos" (ibid.).
Por que, pois, buscar a unidade? Porque não há como fugir à tarefa de continuar a obra de Cristo.
O ideal, de acordo com a teologia paulina, não é o triunfo de um extremo contra o outro, de uma parte contra a outra. Do que se trata é de reconciliar, unificar, recapitular tudo em torno do Cristo, centro verdadeiro de unidade para todo o universo.
RECONCILIAÇÃO E LIBERTAÇÃO
A reconciliação que Paulo propõe não é uma ignorância dos conflitos. As duras palavras com que ele condena, por exemplo, as divisões em Corinto não se referem unicamente à própria divisão, mas também a suas raízes: a soberba de ter sido ensinado por um pregador mais famoso, de ter maior quantidade de bens e permitir-se assim uma refeição mais abundante, de possuir carismas superiores aos dos outros etc.
No nosso tempo, na América Latina, desenvolveu-se, cada vez mais claramente, a consciência de que a raiz da maioria das divisões se encontra na injustiça social, alicerçada no egoísmo humano. A opressão, a marginalização, a exploração impedem a unidade entre opressores e oprimidos, entre marginalizantes e marginalizados, entre exploradores e explorados. Por isso, se queremos verdadeiramente promover a reconciliação entre todos os homens, teremos de empenhar-nos ativamente na libertação de toda injustiça e de toda opressão.
Já Paulo, na Epístola aos Gálatas, enumera, entre as "obras da carne", "ódio, rixas, ciúmes, ira, discussões, discórdia, divisões, invejas..." (Gl 5,20). Numa visão semelhante, as Conclusões da 3ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (Documento de Puebla) afirmam:
- "A uma atitude pessoal de pecado, à ruptura com Deus que degrada o homem, corresponde sempre, no plano das relações interpessoais, a atitude de egoísmo, de orgulho, de ambição e inveja que geram injustiças, dominação e violência em todos os níveis; corresponde à luta entre individuos, grupos, classes sociais e povos, bem como a corrupção, o hedonismo, a exacerbação sexual e a superficialidade nas relações mútuas. Conseqüentemente, estabelecem-se situações de pecado que, em nível mundial, escravizam a tantos homens e condicionam adversamente a liberdade de todos. Temos de nos libertar deste pecado: do pecado que destrói a dignidade humana. Libertarmo-nos participando da vida nova que Jesus Cristo nos traz" (nn. 328-329).
- "Surgem dois elementos complementares e inseparáveis: a libertação de todas as servidões do pecado pessoal e social, de tudo o que transvia o homem e a sociedade e tem sua fonte no egoísmo, no mistério da iniqüidade, e a libertação para o crescimento progressivo no ser; pela comunhão com Deus e com os homens, que culmina na perfeita comunhão do céu, onde Deus é tudo em todos e não haverá mais lágrimas" (n. 482).
A procura da unidade não se restringe às questões intra-eclesiais. O que divide não são só problemas teológicos ou de organização eclesiástica. A própria história das divisões entre os cristãos mostrou quantos elementos geográficos, políticos e culturais se misturaram no aparecimento das diversas confissões. Um sadio ecumenismo não poderá nunca esquecer que a unidade que pretendemos é, sim, externa e visível, além de animada pela caridade e alicerçada na vida única de Cristo. Mas, por isso mesmo, nunca poderemos deixar de lutar para que sejam removidos os obstáculos para a unidade, também na ordem temporal. A luta pela justiça entre os homens de todas as raças e cores, de todas as culturas e latitudes é também uma luta por essa unidade que deve culminar na recapitulação de tudo em Cristo. Por isso, o movimento ecumênico não pode ficar restrito ao diálogo teológico. Também deve promover o encontro entre os cristãos no campo dos direitos humanos, da defesa dos oprimidos, da promoção da justiça, da libertação integral do homem. Como veremos, o testemunho comum de cristãos de diversas denominações não se restringe à recitação de fórmulas de fé comuns, mas abrange também a ação em favor da justiça. Ecumenismo e Teologia da Libertação se encontram num objetivo comum: defender a dignidade da pessoa humana, para conseguir a unidade em Cristo.
A Igreja Primitiva era Católica ou Protestante?

É interessante notar como o Protestantismo alega ser o retorno às origens da fé, ao Verdadeiro Cristianismo, enfim o verdadeiro confessor da fé legítima dos Primeiros séculos. Aliás, diga-se de passagem, se existe uma constante entre as religiões não-católicas é a chamada "teoria do resgate". A imensa maioria delas (a quase totalidade) afirma que o cristianismo primitivo foi puro e limpo de todo erro, mas que, com o tempo, os homens acabaram por perverter a verdade cristã, amontoando sobre ela uma enormidade de enganos.
O verdadeiro cristão, sob este prisma, seria aquele que, superando tais enganos, redescobre o "verdadeiro cristianismo', com toda a sua pureza e singeleza.
Para estas religiões, o responsável pelos erros que se acumularam no decorrer dos séculos é, quase sempre, o catolicismo. Já a religião que "resgatou a verdade" varia de acordo com o gosto do freguês: luteranismo, calvinismo, pentecostalismo, espiritismo, etc.
De uma certa forma, mesmo as religiões esotéricas, a Teologia da Libertação, a maçonaria e (pasmen!) o próprio islamismo bebe desta "teoria do resgate".
O motivo do universal acatamento desta "teoria" é o fato de que, para o homem, é muito difícil, diante dos ensinamentos de Jesus Cristo, e da santidade fulgurante dos primeiros cristãos, negar, seja a validade daqueles ensinamentos, seja a beleza desta santidade. Portanto, as pessoas precisam acreditar que, de uma certa forma, se vinculam a Jesus Cristo e às primeiras comunidades cristãs, ainda que não diretamente.
Mas igualmente, é muito difícil para o orgulho humano aceitar que este genuíno cristianismo existe, intocado, dentro do catolicismo. Aceitá-lo, para todos os grupos não católicos, seria aceitar que estão errados e que, muitas vezes, combateram contra o verdadeiro cristianismo. Desta forma, a "teoria do resgate" é a maneira mais fácil para que um não-católico possa considerar-se um "verdadeiro discípulo de Cristo" sem ter que reconhecer os erros e heresias que professa.
O problema básico de todos estes grupos é que existem inúmeros escritos dos cristãos primitivos e, por meio de tais escritos é que alguém, afinal de contas, pode saber em que criam e em que não criam os cristãos primitivos. E estes escritos são uma devastadora bomba a implodir todos os grupos que ousaram a se afastar da barca de Pedro. Eles solenemente atestam que o cristianismo primitivo permanece intacto dentro do catolicismo. Assim (ironia das ironias), os adeptos da "teoria do resgate", freqüentemente, para defender o que julgam ser a fé dos cristãos primitivos, são obrigados a desconsiderar todo o legado destes primitivos cristãos.
O protestantismo é o mais solene exemplo de tudo o quanto acima dissemos.
Em nosso artigo "Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé?", já expusemos como o protestantismo não confessa a fé que os primeiros cristãos confessaram, fé esta que receberam dos Santos Apóstolos. Quem estuda com seriedade as origens da fé e a história da Igreja, insistimos, sabe que a tão referida Igreja Primitiva, é na verdade a Igreja Católica dos primeiros séculos.
Neste presente artigo, gostaríamos de lançar a seguinte pergunta: teria sido o cristianismo primitivo uma união de confissões protestantes ou uma única confissão católica?
Sabemos que o Protestantismo ensina que todos os crentes em Jesus formam a Igreja de Cristo. Desta forma, não interessa se o crente é da Assembléia de Deus, se é Luterano e etc; são crentes em Jesus e fazem parte da Igreja Invisível de Cristo, mesmo confessando doutrinas diferentes. Curiosamente (e este é um paradoxo insuperável desta "eclesiologia" chã e rastaqüera), apenas os católicos é que não fazem parte deste "corpo invisível", ainda que confessemos que Jesus Cristo é o Senhor do Universo.
O protestantismo, como percebe o leitor, é algo bastante curioso...
Aqui é importante que o leitor não confunda doutrina com disciplina. O fato de na Assembléia de Deus os homens sentarem em lugar distinto das mulheres em suas assembléias, e o fato dos Luteranos não adotarem esta prática, não é divergência de doutrina entre estas confissões, mas de disciplina. A divergência de doutrina nota-se pelo fato dos primeiros não aceitarem o batismo infantil e os segundos aceitarem. Isto é para citar um exemplo.
A doutrina é a Verdade Revelada, é o núcleo da fé, é o que nunca pode mudar. A disciplina é a forma como a doutrina é vivida, e é o que pode mudar, desde que não fira a doutrina.
Uma análise completa de como seria o passado do Cristianismo se ele tivesse sido protestante exigiria a escrita de um livro. Então, neste artigo vamos apenas verificar a questão das resoluções tomadas pela Igreja Primitiva a fim de combater o erro, isto é, as heresias.
Ao longo da história, a Igreja se deparou com sérios problemas doutrinários. Muitos cristãos confessavam algo que não estava de acordo com a fé recebida pelos apóstolos.
A primeira heresia que a Igreja teve que combater a fim de conservar a reta fé foi a heresia judaizante.
Os primeiros convertidos á fé Cristã eram Judeus, que criam que a observância da Lei era necessária para a Salvação. Quando os gentios (pagãos) se convertiam a Cristo, eram constrangidos por estes cristãos-judeus a observarem a Lei de Moisés. Os apóstolos se reúnem em Concílio para decidir o que deveria ser feito sobre esta questão.
Em At 15, o NT dá testemunho que os apóstolos acordaram que a Lei não deveria ser mais observada. E escreveram um decreto obrigando toda a Igreja a observar as disposições do Concílio.
Veja-se este Concílio de uma maneira mais pormenorizada. Haviam dois lados muito bem definidos em disputa, cada qual contando com um líder de enorme expressão. O primeiro destes lados era o já citado "partido dos judaizantes", que tinha, como sua cabeça, ninguém menos do que São Tiago, primo de Jesus Cristo e a quem foi dado o privilégio de ser Bispo da Igreja Mãe de Jerusalém. Contrário a este partido, havia o que advogava que, ao cristão, não se poderia impor a Lei de Moisés, visto que o sacrifício de Jesus Cristo era suficiente e bastante para a salvação de quem crê. Como cabeça deste grupo, estava São Paulo, o mais influente apóstolo de então, a quem Deus havia dado o privilégio de "visitar o terceiro céu", e de conhecer coisas que, a nenhum outro ser humano, foi dado conhecer.
Dois grupos muito fortes, com líderes extremamente influentes. Realiza-se o Concílio num clima de muita discussão. Estavam em jogo a ortodoxia e a salvação da alma de todos nós. No concílio, foram estabelecidas duas coisas muito importantes, de naturezas diversas.
Em primeiro lugar, São Pedro afirmou que os cristãos não estavam obrigados à observância da lei, definindo um ponto de doutrina imutável e observado por todos os cristãos até hoje (At 15, 7-8). Aliás, a liberdade cristã, vitoriosa neste Concílio, é o ponto de partida de toda a teologia protestante. Não deixa de ser curioso o fato de que este núcleo teológico acatado por todos eles foi definido, solenemente, pelo primeiro Papa, muito embora eles afirmem que o Papa não tem poder para definir coisa alguma...
Pouco depois, São Tiago sugeriu, juntamente com a proibição de uniões ilegítimas, a adoção de normas pastorais (a saber: a abstinência de carne imolada aos ídolos, e de tudo o que por eles estivesse contaminado),o que foi aceito por todos e imposto aos cristãos. Tais normas, hoje não são seguidas. Por que? Nós católicos temos o argumento de que tais normas eram disciplinares e não doutrinárias, e que a Igreja Católica que foi a Igreja de ontem com o tempo as revogou; assim como uma mãe que aplica normas disciplinares a um filho quando é criança e não as utiliza mais quando o filho se torna um adulto.
E qual o argumento dos protestantes por não observarem tais normas. Não deixa de ser curioso o fato de que não existe uma revogação bíblica destas normas, e, portanto, os protestantes (adeptos da ?sola scriptura?) deveriam observá-las. No entanto, não as observam. Revogaram-nas por conta própria. E, ainda por cima, nos acusam de "doutrinas antibíblicas"...
Nada mais antibíblico, dentro do tenebroso mundo da ?sola scriptura", do que não seguir as normas de At 15, 19-21...
Bem, prossigamos. Este Concílio, portanto, foi exemplar por três motivos:
a) narra uma intervenção solene de São Pedro, acatada por todos e obedecida até pelos protestantes hodiernos, ilustrando a infalibilidade papal;
b) narra a instituição de uma norma de fé por todo o concílio (qual seja: a abstenção de uniões ilegítimas), igualmente seguida por todos até hoje, o que ilustra a infalibilidade conciliar;
c) narra a instituição de normas pastorais, que se impuseram aos cristãos e que deixaram, com o tempo de serem seguidas, muito embora constem da Bíblia sem jamais terem sido, biblicamente, revogadas (o que, por óbvio, não cabe dentro do "sola scriptura").
Ao fim do Concílio, portanto, e de uma certa forma, os dois lados estavam profundamente desgostosos. Em primeiro lugar, o grupo dos judaizantes teve que aceitar a tese de São Paulo como sendo ortodoxa. Afinal, São Pedro em pessoa o afirmara e, diante das palavras dele, a opinião de São Tiago não tinha lá grande importância. Como católicos que eram, curvaram-se, assim como o próprio São Tiago se curvou.
Imaginemos se fossem protestantes. Afirmariam que não há base escriturística para a afirmação de São Pedro. Que, sem versículos bíblicos (do cânon de Jerusalém, ainda por cima!), não acatariam aquela solene definição dogmática. Que São Pedro, sendo uma mera "pedrinha", não tinha poder de ligar e de desligar coisa nenhuma, muito embora Jesus houvesse dito que ele o tinha. Afirmariam, ainda, que todos os cristãos são iguais, e que, portanto, São Tiago era tão confiável quanto São Pedro, pelo que a palavra deste não poderia prevalecer sobre a daquele, principalmente quando todas as Escrituras diziam o contrário.
Por fim, criariam uma nova Igreja. A Igreja do Apóstolo Tiago, verdadeiramente cristã, alheia aos erros do papado desde o princípio.
Imaginemos, agora, o lado dos discípulos de São Paulo. É verdade que sua tese saiu vitoriosa do Concílio, mas, em compensação, tiveram que acatar as normas pastorais de cunho nitidamente judaizante. Como bons católicos que eram, entenderam que a Igreja foi constituída pastora de nossas almas e que, portanto, tais normas eram de cumprimento obrigatório.
Imaginemos, agora, se fossem protestantes. Afirmariam que São Paulo teve uma "experiência pessoal" com Jesus e que, nesta experiência, o Senhor lhe dissera que ninguém deveria se preocupar com o que come ou com o que bebe. Além disto, a experiência cristã é, eminentemente, espiritual e não pode sem conspurcada ou auxiliada por coisas tão baixas como a matéria (muitos protestantes, na mais pura linha gnóstica, têm horror a tudo o que é material). Portanto, este Concílio estava negando a verdade cristã, pelo que não se sentiriam obrigados a coisa alguma nele definida.
Acabariam, finalmente, fundando uma nova Igreja. A "Igreja Em Cristo, Somos Mais do que Livres", ou "Igreja Deus é Liberdade."
Este foi o primeiro concílio da Igreja. Realizado por volta do ano 59 d.C., e narrado na Bíblia. Portanto, é "cristianismo primitivo" para protestante nenhum botar defeito!
Neste ponto, perguntamos: os protestantes realizam concílios para resolverem divergências doutrinárias? Sabemos que não. Então, como os protestantes podem avocar um pretenso retorno ao "cristianismo primitivo" se não resolvem suas pendências como os primitivos cristãos? Somente por aí já se percebe que a "teoria do resgate" não passa de uma desculpa de quem, orgulhosamente, não quer aderir à Verdade.
Portanto, se a Igreja Primitiva tivesse sido protestante, como defendem alguns, este concílio não se realizaria. Primeiro que não se incomodariam se alguns cristãos confessam algo diferente, pois para os protestantes, o que importa é a fé em Cristo. A doutrina não importa, o que importa é a fé. Se você tem fé e foi batizado está salvo. Não é assim no protestantismo?
Em segundo lugar, supondo a realização do concílio, como já se viu acima, nem os cristãos judaizantes nem os discípulos de São Paulo não adotariam as disposições do Concílio em sua inteireza. E então não haveria de forma alguma uma só fé na Igreja.
Verificamos que então que a fé primitiva não era protestante, era católica; por isto eles sabiam que deveriam obedecer a Igreja pois criam que Cristo a fundou para os guiar na Verdade (cf. 1Tm 3,15), assim como nós católicos cremos. Tanto é assim que, nos séculos que se seguiram, os "cristãos primitivos" continuaram resolvendo suas pendências doutrinárias segundo o modelo de At 15. Concílios ecumênicos e regionais se sucederam por toda a história da cristandade, sempre acatados e respeitados. Alguns deles (vá entender!) são acatados e respeitados até pelos protestantes.
Depois da heresia judaizante, a ortodoxia (reta doutirna) cristã teve que combater as seguintes heresias: gnosticismo, montanismo, sabelianismo, arianismo, pelagianismo, nestorianismo, monifisismo, iconoclatismo, catarismo, etc. Para saber mais sobre estas heresias ler artigo "Grandes Heresias". Este mesmo artigo nos mostra como muitas destas heresias se revitalizaram nas seitas protestantes, que, assim, embora aleguem um retorno ao "crsitianismo primitivo", acabam por encampar doutrinas anematizadas por estes mesmos cristãos primitivos.
Como costumamos dizer, a coerência não é o forte do protestantismo...
O fato é que graças á realização dos Concílios Ecumênicos ou Regionais, graças aos decretos Papais, e à submissão dos primeiros cristãos aos ensinamentos do Magistério da Igreja, é que foi possível que houvesse uma só fé na Igreja antes do século XVI (antes da Reforma). Foi pelo fato da Igreja antiga ser Católica, que as palavras de São Paulo ("uma só fé" cf. Ef 4,5) puderam se cumprir.
Se a Igreja Antiga fosse protestante, simplesmente, o combate às heresias não teria acontecido, e com toda certeza nem saberíamos no que crer hoje. O mundo protestante só não e mais confuso porque recebeu da Igreja Católica a base de sua teologia.
Como ensinou São Paulo: "A Igreja é a Coluna e o Fundamento da Verdade" (cf. 1Tm 3,15). Foi assim para os primeiros cristãos e assim continua para nós católicos.
Assim como no passado, continuamos obedecendo aos apóstolos (hoje são os bispos da Igreja, legítimos sucessores dos apóstolos) pois continuamos crendo que Jesus fundou sua Igreja nos ensinar a Verdade através dela.
Se isto foi verdade no passado, necessariamente é verdade agora e continuará sendo sempre.
Estude as origens da fé, procure saber sobre os Escritos patrísticos e descubra a Verdade, assim como nós do Veritatis Splendor, que somos ex-protestantes (em sua maioria) descobrimos.
Não rotulem, conheçam.
"Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará".
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